25 agosto 2015

Páginas de um diário rasgado

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"Me lembro agora de cada motivo pelo qual já quis tirar minha vida, porque já quis desistir. Nesse momento estou enfiada dentro do meu guarda roupa, trancada no meu quarto tremendo igual a uma criança, o porquê? Apanhei de quem devia me proteger. Quando criança assistia muitos dias casos de violência doméstica, eu nem entendia meu nome direito mas sabia que aquilo não estava certo. Vi ele bater em minha mãe e minha irmã e no outro dia simplesmente era como nada havia acontecido, elas abaixavam a cabeça e seguia em frente, chorava as escondidas e eu assistia aquilo. Aos meus 11 anos, a situação começou a me atingir também, apesar das tentativas da minha mãe de me manter fora, todos diziam que ele era bêbado, colocava a culpa na bebida e no estresse e ele nunca pagou por isso. Minha mãe faleceu aos meus 12 anos, digo que foi de desgosto, mas foi pelo seu coração fraco. Minha irmã mudou de cidade para fazer faculdade e eu tive de viver sozinha com esse monstro. A diferença? Eu escolhi revidar, devolvi golpes se fossem necessários e me defendo se conseguir, é claro que a força de um homem e uma adolescente nem se compara mas eu não podia aceitar. Depois de um bom tempo, ele começou a mudar, controlou melhor a bebida e começou a ser um pai. Ele me ajudou a superar minha depressão e quando via alguma tentativa de suicídio ele deixava minha irmã tomar a causa e falar comigo. Porém, hoje, a situação virou novamente, já terminei os estudos, me preparo para faculdade e trabalho apenas de manhã. Estamos na mesma casa, nessa cidade, todo ano tem uma tem o estado de poeira que deixa tudo vermelho, ele vendo a tempestade chegando e não me ajudou a fechar as portas e janelas, nem a tirar a roupa do varal, quando fui reclamar bati na porta com força, foi o suficiente para ele correr atrás de mim e a me bater como se eu fosse uma criança encrenqueira, eu sacudia os braços no ar acertando ele também e tentando afasta-lo, não vou abaixar a cabeça! Depois sentei em meu quarto e consegui sentir cada golpe latejando em minha pele, principalmente os acertados na cabeça. Comecei a chorar baixinho, ouvi ele aproximar da porta, segurei o ar, ele começou a gritar “a partir de hoje vai ser assim”, mas não mesmo! Deus e minha mãe que me perdoe, mas eu não sou capacho de um pai frustado..."
Para onde vai a inocência de uma criança depois que se torna um adulto?


Viviane Fachini 24/08/2015

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