17 setembro 2015

Essa sou eu

Para muitos a vida tem um modo de ser fácil, não se sabe porque, alguns são selecionados para ser todo contrário. Não sei porque, ou por quem, mas fui uma dessas escolhidas... Existe em mim um grande peso, sempre houve, desde pequena tive dificuldade com as pessoas, era e foi ficando cada vez mais difícil de sair de casa, amizades são reservadas para quem dedica um tempo para entender os meus “porquês”, os meus medos e os meus desesperos. 
Depois que perdi as pessoas mais delicadas da minha vida, minha rainha, minha mãe, minhas avós, eu me perdi dentro de mim. Lembro de uma vez, aos meus onze anos, havia pouco tempo que minha mãe falecera, o professor fez uma roda com os alunos e perguntou qual era o nosso maior medo, muitos responderam coisas entre leão e morte, eu simplesmente olhei para o professor e falei “o meu único medo é a solidão”, consigo ainda sentir o silencio que houve na sala e o peso do sentimento de cada um. 
Eu soube depois que aquele professor tinha perdido um filho de 7 anos para um Câncer e que ficou em depressão trancado em casa por mais de um ano e estava voltando a lecionar agora, soube naquele momento também que ele me entenderia. Levei muito tempo para entender o que acontecia comigo, o peso que vinha do nada e me tirava até a vontade de respirar, a maior dificuldade foi com meu pai e minha irmã que não sabia como lidar com isso, tivemos tensos episódios de tentativa de suicídio até que aprendi a viver com meu problema. 
Hoje eu abraço minha escuridão como se fosse uma velha amiga, pois é isso que ela é. Perdi muitos amigos, muitas oportunidades de amores eternos, pessoas que não foram capazes de entender, substitui todas por livros, muitos livros e blogs, músicas e tudo o que poderia me fazer o bem que eles não fizeram. 
Aprendi a viver com meu maior medo, é um motivo de orgulho para mim, não precisei de medicamentos ou um médico me dizendo coisas que eu não escutaria. Eu simplesmente vivo cada crise, abraço meu escuro interno e namoro minha solidão, que se tornou minha amada companheira. 

Meu nome é Viviane Fachini, estou prestes a fazer 19 anos e tenho uma longa jornada para aprender ainda.

- Viviane Fachini
Permaneci novamente com minha idéia de suicídio mental, afastando a todos que julgam me amar. Caio em bebidas e lágrimas a fim de correr com o tempo, destruo vestígios de sonhos para não ter que enxergar um futuro. Descubro ao abrir os olhos que tenho mais um dia para descobrir o porque de ser assim, perdida dentro de mim.

As certezas da vida

Faço escolhas erradas durante toda minha caminhada, carrego meu rastro de tristeza comigo pendurada em meus ombros, me afasto de todos o tempo todo e sinto falta de toda uma vida que eu abandono. Quando criança, decidi que aquelas crianças não mereciam meu tempo. Nunca mais troquei um simples “oi” com ninguém daquela rua. Me mantive em casa com os livrinhos da biblioteca, fui a última a falar com minha mãe em vida e assisti meus avós partirem em seguida. Criei amores falsos para suprir um vazio que sentia, mas o vazio continuava a ecoar dentro de mim, justo quando decidi que o tal de “amor” não era mais para mim, justo quando desistiria mais uma vez para focar apenas no meu remédio literário, foi injustamente quando me vi apaixonada pela garota mais louca da minha sala. Mantive em segredo para apenas duas amigas, sonhava acordada e tentava chamar sua atenção, parecia tanta ilusão que fui perdendo os encantos aos poucos, no ano novo, assim que os fogos começaram a estourar no céu, com minha cabeça erguida, eu pedi de coração para Deus, para que eu tivesse alguma chance ao menos uma vez. Deus estava muito feliz, pois não passou muito tempo e ela veio falar comigo, e iniciamos uma amizade fora da loucura da escola, ele me deu uma chance, ela me queria também. Tive durante seis maravilhosos meses o mundo bem em minhas mãos, tinha um motivo para sorrir igual boba ao anoitecer, tinha alguém para abraçar e fazer bobagens, alguém que estaria do meu lado fosse para o que fosse, eu tinha amor… Mas como já havia dito, arrasto um manto de tristeza comigo e este manto chegou ao lar dela, uma mãe doente, um irmão acidentado e tristeza nos olhos dela, eu não conseguia viver tudo aquilo de novo, do outro lado havia minha família implorando para que eu terminasse, duas garotas não podem namorar, o que eles conhecem do amor? Mais uma vez, me rendi a mim mesma e me cobri com meu manto, guardando para mim toda a dor e deixando meu amor ir embora. Chorei algumas noites, me orgulhei em outras. Acompanhei a distância a família dela se recuperando, por pouco que fosse, sabia que sem meu peso lá, estariam melhor. Espero um dia encontrar algo tão verdadeiro quanto o amor daquela menina louca, daquela que tem o meu amor. Tenho medo de lhe causar dor nova mente, por isso estou a manter distância e a viver com os livros , inclusive os livros que ela me dava, minha pequena cura vindo do meu pequeno amor. Talvez a vida não seja feita de certezas, mas se for, eu tenho uma única certeza, de que, aquele sentimento de quando te via sorrir for verdadeiro, então Deus ouvirá minhas preces e devolverá todo o nosso amor.

Vivane Fachini
Falar “bom dia” e “boa tarde” para pessoas que nunca mais vou ver na vida, dar sorrisos para todos que passam naquela porta enquanto há uma tempestade interminável dentro de você.

- Viviane Fachini

Carta ao meu amor

Olá, como vai?
Estou surtando em uma última tentativa, eu engoli meu orgulho e consegui apertar o enter e te dizer que eu gosto muito de você, como um passe de mágica você respondeu que gostava de mim também e até seu modo de falar mudou, mas sabe como sou babaca né? Pois bem, eu deveria aprender esperar e a não ficar tão mal, talvez você não goste de mim como eu gosto e fosse melhor eu desistir, ou talvez, seja quase da mesma forma e eu deveria continuar a sonhar. Eu não sei, de nada eu sei, por isso eu estou a lamentar por mim um pouco, não sei ser amada, me assusto com um pouco de afeto, mas eu sei amar e amo incondicionalmente m. Estou a criar minha própria cura, por tanto tempo acreditei que outra pessoa chegaria com sorrisos e eu não me sentiria mais sozinha, porém muitos sorrisos ja passaram aqui e a solidão continua minha melhor amiga. Aprendi a apreciar pequenas coisas e sonhar com futuros próximos, aprendi que o amor próprio é o mais importante e agora descobri que te amo e sonho com o dia em que você me ame também ou com o dia em que tirarei essa idéia infantil da cabeça.

Att, Uma garota solitária